
Hoje, na visita basica "so pra passar vontade" a livraria, vi essa novidade da Penguin: o livro com "capa personalizada". Sao seis classicos, que vem com a capa em branco, para cada um criar a sua propria. Um otimo presente para artistas de plantao (darem e receberem).
A Penguin foi a editora que, na decada de trinta, liderou a revolucao do paperback - o livro de capa mole e papel jornal, baratinho, que ate hoje nao chegou ao Brasil - e deu a milhares de insuspeitados leitores acesso a literatura de qualidade. Setenta anos depois, continua inventando moda.
Esse nao foi um fator decisivo na escolha do nosso apartamento aqui em Londres - foi mais uma questao de agarrarmos o primeiro em que o fogao ficasse a mais de um metro e meio de distancia da cama - mas a existencia de uma livraria do outro lado da rua foi muito bem vinda.
Morar num lugar tao apertado exige de brasileiros espacosos varias adaptacoes e mudancas de habitos. Uma delas e transformar a vizinhanca numa extensao do lar. Assim, o parque vira quintal, o supermercado vira despensa e freezer, a area de servico fica na saudade e a livraria vira refugio.
Refugio do vento frio no inverno e da falta de vento no verao (o melhor ar-condicionado da rua, disparado). Refugio nas horas de briga, nos dias de pouca inspiracao e nos momentos de tedio.
Dificil e resistir a tentacao. Livro por aqui e artigo relativamente barato e - ao contrario do que acontece no Brasil - entra sempre em promocao. Por dez libras (R$40), o preco de dois "numeros" no Mc Donalds, voce compra tres livros paperback (de "capa mole") em qualquer livraria de rede.
Mas prometi que so vou comprar outro livro quando a minha relacao livros comprados / livros lidos melhorar um pouco. Ontem consegui terminar o delicioso Vanity Fair, mas ainda restam cinco, pela metade, que ja povoam meu criado-mudo ha meses, alem de uns tres ou quatro, nem comecados, na estante.
Na promocao de janeiro, quem sabe...
Comecei a ler no metrô indo para o trabalho um dos "presentinhos" vindos recentemente do Brasil: o último livro do Drauzio Varella. Apesar de semi-atrasada, torci para o trem demorar uns segundos a mais em cada estação para não ter que parar de ler. Impossível não se emocionar com as lições de vida em cada reflexão sobre a morte. Impossível não lembrar de parentes, pacientes e amigos...