Dez e meia aqui, sete e meia no Brasil.
As eleicoes se acabaram-se, como diria nosso atual e futuro presidente.
So vim escrever porque a Record esta transmitindo ao vivo - milagre dos milagres! - e ouvir reporter falando portugues, em pleno domingo a noite, me fez lembrar do Fantastico.
E bateu uma saudade...

Mais uma Copa do Mundo longe do Brasil. Desta vez, na terra que inventou o futebol, esperava um pouco mais de animação do que na Austrália de doze anos atrás, quando meus colegas perguntavam “Copa do quê?” enquanto eu, eufórica, tentava explicar o motivo do meu atraso na aula de Física, o broche com a bandeira do Brasil na lapela – infração máxima ao uniforme – e a importância que aquele chute para fora do Baggio tinha para a história do meu País.
Há dez minutos a Inglaterra marcou o segundo gol sobre Trinidad e Tobago, garantindo a vaga na segunda fase da Copa. Na rua de casa a vida segue normalmente. Movimento usual nos cafés, lojas e no ponto de ônibus. Dezenas de pedestres e motoristas, aproveitando a rara tarde de sol, aparentemente alheios à vitória sofrida do time nacional. Nenhum grito de gol, nenhuma buzina comemorativa, nenhuma manifestação. Nada!
Tenho certeza de que até na Austrália, onde em 1994 futebol era um esporte tão negligenciado, que meus colegas não sabiam nem quem era Pelé, as comemorações pós-vitória estão sendo mais enfáticas que aqui, berço do esporte. Só vamos torcer para que eles não tenham motivo para fazê-lo no próximo domingo.
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Impressões sobre minha (breve) passagem pela Índia:
Tudo parece acontecer nas ruas, que borbulham com pedestres, motos, vacas, cabras, riquixás motorizados (foto), camelôs, tratores e tudo o mais. E quando eu digo rua, quero dizer a pista, já que calçada é um conceito pouco difundido na Índia.
O trânsito, como dá para imaginar, vira um caos. Contanto que o motorista buzine antes da infração, vale praticamente tudo. E por tudo leia-se: dar ré na rotatória, ultrapassar pelo acostamento, furar farol vermelho, dirigir na contramão, cinco passageiros numa moto, nove num ruiquixá (juro!), e assim por diante. Só não vale atropelar as vacas, sagradas e onipresentes.
A comida é deliciosa! Extremamente saborosa e colorida, cheia de temperos diferentes e exóticos para o paladar ocidental. No entanto, há de se usar de prudência e pedir tudo mild, ou seja, sem muita pimenta; pedido que os chefs nem sempre levam muito a sério. E dá-lhe água (sempre, sempre, sempre, mas sempre mesmo, mineral!).
Os locais são super simpáticos e acolhedores e têm um hábito peculiar, que nos primeiros dias me deixou confusa: quando querem dizer “sim”, balançam a cabeça de um lado para o outro, como nós fazemos quando queremos dizer “não”. No quesito receptividade, me senti como, imagino, um turista estrangeiro deve se sentir no Brasil.
Aliás, apesar das diferenças patentes, há vários aspectos, sendo a pobreza e a exclusão social os mais óbvios, em que os dois países se assemelham. Agora entendo porque me senti meio que em casa aquele dia no consulado, quando fui tirar o visto…
Semana saudades do Brasil.
Assistindo: novela!!! (Cidadao Brasileiro, gracas a Record Internacional.)
Ouvindo: Seu Jorge e Ana Carolina e adorando.
Monday é dia de terminar de ler o Sunday Times. Compulsiva que sou, recusando a deixar matérias órfãs de leitura, transformo a digestão dos seis cadernos, três suplementos e duas revistas numa missão quase impossível de ser concluída num único dia. Nem a assumida negligência do caderno de esportes torna a tarefa menos árdua. Contam que ontem fui encontrada a meia-noite e meia, literalmente babando sobre a Claudia Schiffer, na tentativa de vencer minha maratona dominical.
Como meus sentidos estavam claramente afetados pelo sono, hoje precisei voltar e checar uma informação que achei ter visto errado ontem å noite. A matéria em questão era sobre a trágica morte do brasileiro abatido por engano no metrô de Londres, por morar no lugar errado, na época errada. E lá estava, num quadro ao pé da página, o número de pessoas mortas pela polícia inglesa desde 1995. Acreditem se quiserem: nos últimos dez anos, no país inteiro, quinze homens, entre culpados e inocentes, foram mortos por policiais em serviço.
Quinze! Em dez anos! E vem o governo brasileiro se dizer "chocado e perplexo" com o "lamentável erro" ocorrido. Eu também estou chocada e perplexa. Chocada com o fato de "lamentáveis erros" como esse acontecerem diariamente no Brasil. (Estou exagerando em arriscar uns quinze "erros" por dia?) Perplexa com o descaso com que esses assasinatos são tratados.
A triste verdade é que se o mesmo "Senhor de Menezes", brasileiro pobre, fosse morto com onze tiros na cabeça, por policiais no metrô de São Paulo, o mesmo governo que envia investigadores para investigar a Scotland Yard (quão hilário é isso?) não estaria nem um pouco perplexo. E nós brasileiros não estaríamos chocados. Aliás, muito provavelmente, ninguém ficaria nem sabendo da existência de um eletricista de 26 anos, que deixou a família no interior para tentar a sorte numa cidade grande, onde, ironicamente, acabou encontrando a morte.
Labels: brasil, crime, terrorismo
Comecei a ler no metrô indo para o trabalho um dos "presentinhos" vindos recentemente do Brasil: o último livro do Drauzio Varella. Apesar de semi-atrasada, torci para o trem demorar uns segundos a mais em cada estação para não ter que parar de ler. Impossível não se emocionar com as lições de vida em cada reflexão sobre a morte. Impossível não lembrar de parentes, pacientes e amigos...