Vespera de Natal, oito da noite, na fila do supermercado ouco o seguinte dialogo entre uma senhora inglesa, mais pra la do que pra ca, e a funcionaria do caixa, claramente indiana:
Senhora inglesa: Que horas fecha o supermercado?
Caixa indiana: As nove horas.
(Normalmente fecha as onze.)
Senhora inglesa: Ah, pra voces poderem ir na Missa do Galo?
Caixa indiana, contendo o riso: Nao, eu sou hindu, nos nao celebramos o Natal.
Senhora inglesa, genuinamente admirada ao constatar que a moca com um terceiro olho vermelho na testa nao era crista: Hindu? Voce sabia que Jesus e Krishna eram melhores amigos?
So rindo...
O Hermeti pediu neve, mas por enquanto o Papai Noel so providenciou neblina. Para tristeza dos milhares de viajantes que vao passar o Natal em brancas nuvens (literalmente), ja que os aeroportos estao fechados para pouso e decolagem e a previsao de melhora e so para o dia 26.

Uns dias atras a Michelle deixou um comentario no blog, perguntando se o Natal aqui era bonito. Pois e, eu sempre achei que fosse, mas a nada festiva realidade e que ele e bem mixuruca.
Mal-acostumados que somos em deduzir que a Inglaterra e um pais parecido com os EUA, vemos aquelas luzes espetaculares de Nova Iorque no Jornal Nacional e e natural concluirmos que em Londres seja igual.
Quem conhece os dois paises sabe que nao poderiam ser mais diferentes e o departamento decoracao de Natal nao e excecao. Enquanto os americanos competem para ver quem consome mais watts, os ingleses se limitam a colocar uma luzinha discreta na arvore e pendurar uma meia na lareira. Luzes para fora de casa, no jardim ou na fachada, nunca vi. Desconfio que seja proibido.
A decoracao das ruas acompanha a mesma tendencia. Guardadas as devidas proporcoes, a iluminacao de Natal da Rua Direita de Pinhal nao fica devendo nada a da Oxford Street, a principal rua comercial de Londres. Com tantos parques na cidade, nenhuma arvore a la Ibirapuera ou lagoa Rodrigo de Freitas...
Tudo muito ecologico e low profile, mas tambem muito boring.
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Hoje, na visita basica "so pra passar vontade" a livraria, vi essa novidade da Penguin: o livro com "capa personalizada". Sao seis classicos, que vem com a capa em branco, para cada um criar a sua propria. Um otimo presente para artistas de plantao (darem e receberem).
A Penguin foi a editora que, na decada de trinta, liderou a revolucao do paperback - o livro de capa mole e papel jornal, baratinho, que ate hoje nao chegou ao Brasil - e deu a milhares de insuspeitados leitores acesso a literatura de qualidade. Setenta anos depois, continua inventando moda.
Razoes pelas quais eu adoro morar numa high street (ver descricao de high street nesse outro post): musica tradicional de Natal, ao vivo, embaixo da nossa janela, todo sabado e domingo de dezembro.
Razoes pelas quais as vezes irrita um pouco morar numa high street: musica tradicional de Natal, embaixo da nossa janela, com amplificador, comecando as nove e meia da manha do sabado, quando voce foi para cama as tres da madrugada na sexta.
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